quinta-feira, 4 de abril de 2013

Pilates para Crianças

Atualmente é cada vez mais comum crianças queixarem de dores nas costas, tal fato se deve a redução nas atividades físicas das crianças nos dias atuais.
Cada vez mais as crianças passam mais tempo em frente ao computador e vídeo game.
Sem contar o fato que a maioria não vive mais em casas, mas em apartamentos e esses estão cada vez menores.
Somando a falta de atividade física devido as modernidades, à redução no espaço para brincar, o número cada vez menor de filhos (quanto menos irmãos menor os indivíduos para brincar) e também aos riscos de se brincar na rua (violência, atropelamentos etc).
O pilates torna-se então uma opção excelente para as crianças, pois exige concentração, trabalha força, equilíbrio, coordenação, sendo útil até mesmo para crianças hiperativas devido à necessidade de focar na execução dos exercícios.
Cada vez mais os pais deveriam pensar na qualidade de vida de seus filhos, as mudanças devem ser acompanhadas, fiquem atentos e não negligenciem queixas de crianças, mesmo sendo essas muito "novas" para terem problemas de coluna. Dor não é apenas sinal de lesão estrutural, muitas vezes a queixa de dor aparece quando ainda existe apenas uma alteração na função de um segmento, e quanto antes iniciar o tratamento menores as chances de agravar os sintomas e se tornar crônicas.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Síndrome da Cauda Equina e Compressão Medular


Síndrome da cauda equina é uma séria condição neurológica na qual há perda aguda da função dos elementos neurológicos (raízes nervosas) do canal espinhal abaixo do cone medular, a terminação da medula espinhal.

O que poucos sabem é que uma compressão medular EM QUALQUER NÍVEL MEDULAR pode gerar sintomas neurológicos semelhantes aos da síndrome da cauda equina, como perda da sensibilidade nas regiões genitais e perianal e em casos mais graves a perda do controle dos esfíncteres.

Tal fato se deve à disposição das fibras ascendentes na medula espinhal onde quanto mais inferior a raiz nervosa mais centralizada na medula, ou seja, as vias ascendentes mais centralizadas na medula são as raízes de S5 e S4, que respectivamente são os dematomos da região anal e dos genitais.
E como em geral a compressão é na parte anterior, acaba por atingir primeiro essas áreas na medula.

Outro sinal clinico importante como diagnóstico diferencial para se detectar a compressão da medula é a perda da propriocepção, tal explicação se deve também à disposição das fibras dos fascículos Grácil e Cuneiforme, dessa forma podemos através de perguntas ao paciente como dificuldade de caminhar no escuro ou na penumbra e teste de romberg desconfiar de uma compressão a nível medular.
A compressão medular ainda que ocorra em qualquer nível (cervical, torácico ou lombar) pode ocasionar esses sintomas e muitas vezes ao procurar o médico o paciente acaba fazendo exames de imagem que em nada ajuda em desvendar a compressão, é comum o paciente chegar para tratamento descrevendo esses sintomas e nas mãos uma ressonância magnética da coluna lombar baixa (L3, L4, L5), e como sabemos nesse nível não temos mais a medula espinhal apenas raízes (cauda equina).

Se o paciente chegar em sua clínica com essas manifestações (perda da sensibilidade na região anal e genitais), perda da propriocepção (dificuldade de caminhar no escuro ou penumbra, romberg positivo) e traz consigo apenas uma RNM lombar, cuidado ele pode apresentar uma compressão medular em qualquer nível da coluna vertebral, solicite uma investigação completa para não piorar a situação do paciente.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Osteopatia: Um pouco da sua história.



A origem da Osteopatia está diretamente ligada a vida do Dr. Andrew Taylor Still, fundador da osteopatia. Andrew Taylor Still nasceu em 6 de agosto de 1828, no extremo oeste do estado da Virgínia, EUA. Filho de Martha Still e do médico Abram Still, que também era fazendeiro e ministro da igreja episcopal metodista. Andrew seguiu os passos do pai e se tornou um fazendeiro e médico.

Andrew era um excelente caçador e relata que sua juventude na fronteira americana foi de grande utilidade para o desenvolvimento da osteopatia: "Minha experiência vivendo na fronteira foi muito valioso. Teve um valor inestimável em minhas pesquisas científicas. Antes mesmo de estudar anatomia nos livros, eu já havia aperfeiçoado este conhecimento através do grande livro da natureza. Despelar esquilos me colocou em contato com músculos, nervos e veias. Os ossos, a base da osteopatia, sempre foram de meu interesse antes mesmo de aprender seus nomes científicos".

Em 29 de janeiro de 1849, casou-se com a senhorita Mary M. Vaughn e se mudou para Lawrence no Kansas, região ocupada pela tribo Shawnee. Lá ele cultivava uma fazenda e junto com seu pai realizava atendimento médico aos índios e colonos. Sua esposa morreu em 1859, e o deixou com três filhos. Em 1860, casou-se com Mary E. Turner.

Nos anos de 1852-1853 foi cirurgião sob comando do General John C. Fremont, e durante a Guerra Civil ele foi cirurgião do exército da União no corpo de voluntários. Foi neste período em que ele começou a perder a confiança na eficácia dos medicamentos e nos procedimentos médicos da época. Entre os anos de 1861 e 1864 Still serviu e comandou batalhões durante a Guerra de Secessão, lutando pela libertação dos escravos. Dr. Still alcançou o posto de Major, e em outubro de 1864 cumpriu ordens de dispensar todo seu regimento, encerrando sua carreira como militar.

Dr. Still mudou-se do Kansas para Kirksville, Missouri em 1875, mas não se fixou de forma permanente até 1887. Durante este período ele trabalhou como médico intinerante, indo de lugar a lugar procurando oportunidades de curar os doentes com seu próprio método original. Dr. Still atraiu muita atenção quando chegou em Kirksville, principalmente devido ao caso da senhora Robert Harris. Ela esteve doente por anos, e todos os médicos da cidade haviam desistido de tratá-la. Ela não conseguia elevar a cabeça sem que ocorresse cãibras, convulsões, e perda da consciência, os vômitos eram frequentes.
 O médico Dr. Grove, ouviu sobre os trabalhos do Dr. Still, e a recomendou que buscasse sua ajuda. Dr. Still a tratou durante três meses, e apartir de então ela voltou a ter boa saúde. Não parece necessário dizer que desde o tratamento a família Harris se tornou amiga do Dr. Still e se transformou em fervorosa defensora da Osteopatia.

Pessoas de todos os cantos, inicialmente, zombavam do Dr. Still, mas muitos foram obrigados a reconhecer o seu maravilhoso trabalho. Ele ficou conhecido como "o rápido ajustador de ossos" (the lightning bone-setter). E muitas vezes podia ser visto por seus amigos com sua caixa de ossos, estudando-os em seus mínimos detalhes. Frequentemente dizia: "só os medicamentos não irão resolver, precisamos ter algo melhor".

Sua habilidade como terapeuta foi evidenciada em Kirksville pelas centenas de pacientes paralisados e aleijados que o procuravam, e que em poucas semanas partiam com seus corações aliviados e seus membros endireitados. Sua fama se espalhou e ele fez a cidade de Kirksville ser conhecida em todos os estados dos Estados Unidos, devido a sua reputação.


Muitas vezes Dr. Still deixava Kirksville para ir a outras cidades fazer exibições em lugares públicos escolhendo pessoas com doenças que ele poderia rapidamente demonstrar os "Princípios da Osteopatia" perante a multidão. Muitos o julgavam como louco e insensato, mas de uma forma geral sempre deixava uma boa impressão por onde passava. 

E em 1892 quando sua procura se tornou tão intensa que ele e sua família não conseguiam mais atender as vastas multidões que apareciam para tratamento, então Dr. Still começou a ensinar formalmente a Osteopatia, fundando a American School of Osteopathy.
A residência do Dr. Still na fronteira durante longos anos no período em que estava desenvolvendo sua ciência não foi mero acidente. A natureza primitiva era o ambiente ideal para ter a independência necessária para completar seu trabalho. Tradições da prática médica tiveram de ser ignorados, funções da mecânica humana não descritos em livros tiveram de ser descobertas.

Em sua autobiografia Still nos mostra como o ambiente em que morava teve influência no desenvolvimento da Osteopatia: "Eu, que tive alguma experiência em aliviar a dor, descobri que os medicamentos são um fracasso. Desde cedo fui um estudante da natureza. Na minha juventude no Kansas, eu dediquei minha atenção ao estudo da anatomia. Eu me tornei um ladrão em nome da ciência. Os túmulos dos índios foram profanados e seus corpos exumados em nome da ciência. Estudei os mortos para que pudesse ajudar os vivos".

"Índio após índio foram exumados e dissecados, e eu ainda não estava satisfeito. Muitos experimentos foram feitos com os ossos, até que eu me tornasse muito familiarizado com o sistema esquelético. Talvez eu avançaria mais cedo no desenvolvimento da Osteopatia, se a Guerra Civil não tivesse interferido no progresso de meus estudos".

E foi na primaveira de 1864 que ele perdeu completamente a confiança na eficácia dos medicamentos, devido a tragédia em sua própria família, que levou a morte de 3 de seus filhos por meningite.

Os primeiros pacientes tratados com osteopatia pelo Dr. Stil em sua grande maioria eram pessoas pobres. E por ser um método novo e desconhecido, diversas vezes os pacientes recusavam o tratamento.  Dr. Still teve de muitas vezes entrar pela porta dos fundos de seu consultório para evitar ser abusado e ridicularizado por parte das famílias dos pacientes devido a seu novo método de tratamento. O fato era que ele precisava ter contato com um grande número de pessoas para obter dados suficientes para apoiar suas afirmações,  foi necessário viajar de um lugar a outro para manter a prática contínua.


No ano de 1872 ele realizou viagens através do país e avaliou todos os casos crônicos que ele pode encontrar. No período de transição, antes mesmo dele abandonar por completo o uso de medicamentos, houve um caso em que ele foi chamado para viajar ao interior e avaliar uma paciente com pneumonia, ele havia esquecidos de levar seus medicamentos, então recorreu à manipulação e curou o caso mais rapidamente do que se estivesse usado os remédios.

Em 1878 ele já estava praticando sua nova profissão, ainda sem nome. Pessoas viajavam grandes distâncias para vê-lo, e todos tratados saíam felizes. Continuou suas viagens para tratar todos os tipos de pacientes que não tinham medo de seu tratamento. O resultado de ter largado a prática médica (com remédios) e devido aos atendimentos gratuitos na grande maioria de seus pacientes que eram pobres, Dr. Still começou a empobrecer. E mesmo na pobreza Dr. Still continuou firme a sua convicção e crença na osteopatia.

Após diversas viagens e curas espetaculares Dr. Still retornou para Kirksville e começou a clinicar. Ele e seu filho Harry faziam todo o trabalho. Mas a clínica cresceu muito além de suas expectativas. E mesmo depois dos filhos Charles e Herman se juntarem, eles não conseguiam dar conta do trabalho. Foi então que Dr. Still especulou em começar a ensinar. A primeira turma consistia em seus filhos e mais três estudantes regulares: Dr. Wilderson, Dr. Hatten e Dr. Ward.


FONTE:


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

sábado, 29 de dezembro de 2012

Fisioterapia do Trabalho: Coffito vence ação judicial sobre o CFM


O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO venceu a ação civil pública movida pelo Conselho Federal de Medicina – CFM que tentava suspender a atuação de fisioterapeutas do trabalho em práticas legalmente reconhecidas pelo COFFITO.

A ação visava suspender atuações normatizadas pela Resolução Coffito 403/2011 e totalmente amparadas pelo Decreto Lei 938/69, que garante que avanços tecnológicos e científicos comprovadamente seguros e eficazes podem e devem ser aplicados pelo fisioterapeuta na prestação de serviços de saúde à população.

Desrespeitando a qualificação e a autonomia profissional do fisioterapeuta, bem como a função normativa do COFFITO, o CFM tentou sem sucesso impedir que o profissional especialista em Fisioterapia do Trabalho realize perícias e que tenha o domínio das seguintes áreas de competência: estabelecer nexo de causa cinesiológica funcional ergonômica; solicitar, realizar e interpretar exames complementares; determinar diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico; solicitar, aplicar e interpretar escalas, questionários e testes funcionais; e realizar ou participar de pericias e assistências técnicas judiciais.

Diante da nítida tentativa de promover uma ilegal reserva de mercado, a ação movida pelo CFM contra o COFFITO teve a petição inicial indeferida pela Justiça Federal do Distrito Federal – cabendo recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Acertadamente, o juiz compreendeu que o CFM fez “uma leitura rasa e precipitada da norma administrativa”, visto que a Resolução 403/2011 do COFFITO refere-se exclusivamente à atuação profissional do fisioterapeuta do trabalho sem interferir ou fazer referência ao exercício da Medicina.

O COFFITO comemora mais uma vitória, que ratifica a competência legal da Fisioterapia e o reconhecimento social pelo trabalho eficaz do fisioterapeuta.
FONTE: www.coffito.org.br

sábado, 10 de novembro de 2012

O processo de Reabilitação (ops! de recuperação funcional)


O processo de reabilitação, ou melhor de recuperação funcional (deixe-me corrigir antes das críticas), não é um processo fácil. Como Fisioterapeuta pós-graduado em Osteopatia acredito que nosso organismo é capaz de curar-se desde que não haja bloqueios, e minha função é liberar o corpo desses bloqueios que impedem o corpo de fazer aquilo que ele é habilitado a fazer, assim como nosso sistema imunológico é capaz de combater grande parte dos patógenos que nos atacam, nosso corpo é capaz de se regenerar, e quando isso não é possível cicatrizar.
Até aí tudo bem, não parece difícil descrevendo, mas o processo de detectar esses bloqueios é bem mais (muito mais) complexo, não é raro seguirmos "pistas" falsas sobre o que está errado, e digo mais quando nos especializamos demais podemos ter nosso julgamento comprometido, podemos querer que o paciente tenha aquilo que estamos mais acostumados a tratar, aquilo que nos é mais fácil, ou ainda, como numa postagem recente podemos seguir a imagem (exame complementar) e não o que o paciente apresenta clinicamente.
Outro fato que costumo enfatizar com os pacientes é que esse processo depende muito mais deles que de mim, ou seja, como eu poderia com algumas sessões fazer com que todo vício de postura, toda atividade realizada de forma inadequada, toda agressão ao sistema locomotor, visceral etc simplesmente desaparecesse, peço que não se iludam com o desaparecimento da dor na(s) primeira(s) sessão(ões), peço que poupem seu organismo para que esse possa se recuperar e que esse possa se manter em harmonia depois de tratado.
Muitas vezes fazer o certo não é confortável, pode doer, ou mesmo parece mais difícil educar o organismo que esta acostumado a ficar errado.
Devemos lembrar que para a manutenção da postura precisamos de equilíbrio, conforto e gasto energético, por isso não basta mandar alguém sentar certo, "encolher a barriga e estufar o peito", a correção sozinha sem acompanhamento irá esbarrar naquelas regrinhas acima, corrigir sem garantir equilíbrio, conforto e gasto energético é em vão, nesse caso a pessoa irá cansaço, dor  (em geral queimação) e até mesmo perda de equilíbrio, e é aí que entramos, detectando esses bloqueios que impedem a manutenção da postura correta, que justamente por respeitar essas mesmas regras eviram o desgaste precoce de nossas estruturas.
Enfim, esse processo requer tempo, dedicação e vigilância para que não haja recidivas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Clinica é Soberana



A Clínica é SOBERANA
Muitos não irão entender esse termo, mas os que entendem com certeza irão concordar comigo.
Um dos maiores ensinamentos na minha formação em Osteopatia (pós-graduação com 1500 horas) foi essa: a clinica é soberana.
Assim como não adianta saber todos os tratamentos se você não souber o que seu paciente tem, você não consegue tratar o que você não sabe o que é, de outra maneira é um tiro o escuro, um jogo de tentativas, que implicaria em muitos erros e poucos acertos.
Com os avanços tecnológicos os exames complementares facilitaram muito a vida dos profissionais da saúde, mas também os deixaram preguiçosos e muitas vezes incapazes de fazer uma boa (ou mesmo satisfatória) avaliação clinica.
Não é raro passarmos por um profissional que pede uma tonelada de exames e sequer "coloca a mão" no paciente.
Sem querer "brigar com a imagem", claro que os exames mostram a condição desse paciente, uma alteração estrutural que pode ser mais facilmente detectada se tivermos em mãos o exame complementar, MAS NÃO DEVEMOS ESQUECER QUE EXAMES COMPLEMENTARES SÃO COMPLEMENTARES, e não servem para nada a não ser confirmar uma hipótese diagnóstica.
Quem nunca avaliou um paciente que relata dores insuportáveis e seus exames complementares estão "limpos"? Significa que este não tem nada?
Ou mesmo quem nunca avaliou um pacientes que quase não refere  dores ou algum outro sintoma e seus exames apresentam-se com muitas alterações?
Muitos profissionais adoram divulgar que possuem nas suas clinicas e consultórios os mais modernos aparelhos de exames e de nada adianta tudo isso se não houver uma avaliação clinica bem feita.
Um famoso seriado americano, o Dr. House, fez muito sucesso mostrando as dificuldades de se fechar um diagnóstico clinico, e em todos os episódios eram feitos vários exames, muitos ainda distantes da realidade da maioria das cidades brasileiras, mas o que fechava o diagnóstico era a ideia, o raciocínio, a lógica e os exames complementares serviam para confirmar o que foi traçado no cérebro.
Quantas vezes não nos deparamos com pacientes submetidos a tratamentos (conservadores ou cirúrgicos) e não tem alteração alguma na suas queixas? Será se a elaboração da conduta não foi baseada no exame complementar e não na clinica do paciente? Com exceção dos casos onde a patologia tem um prognóstico ruim, muitas vezes muitos profissionais baseiam sua conduta no que vê no exame e não no que descobriu no paciente.
Pouco a pouco estamos perdendo nossa capacidade de avaliar, estamos perdendo nosso contato direto com o paciente, se isso não mudar em pouco tempo estaremos tratando os exames e não o paciente.