sábado, 29 de dezembro de 2012

Fisioterapia do Trabalho: Coffito vence ação judicial sobre o CFM


O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO venceu a ação civil pública movida pelo Conselho Federal de Medicina – CFM que tentava suspender a atuação de fisioterapeutas do trabalho em práticas legalmente reconhecidas pelo COFFITO.

A ação visava suspender atuações normatizadas pela Resolução Coffito 403/2011 e totalmente amparadas pelo Decreto Lei 938/69, que garante que avanços tecnológicos e científicos comprovadamente seguros e eficazes podem e devem ser aplicados pelo fisioterapeuta na prestação de serviços de saúde à população.

Desrespeitando a qualificação e a autonomia profissional do fisioterapeuta, bem como a função normativa do COFFITO, o CFM tentou sem sucesso impedir que o profissional especialista em Fisioterapia do Trabalho realize perícias e que tenha o domínio das seguintes áreas de competência: estabelecer nexo de causa cinesiológica funcional ergonômica; solicitar, realizar e interpretar exames complementares; determinar diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico; solicitar, aplicar e interpretar escalas, questionários e testes funcionais; e realizar ou participar de pericias e assistências técnicas judiciais.

Diante da nítida tentativa de promover uma ilegal reserva de mercado, a ação movida pelo CFM contra o COFFITO teve a petição inicial indeferida pela Justiça Federal do Distrito Federal – cabendo recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Acertadamente, o juiz compreendeu que o CFM fez “uma leitura rasa e precipitada da norma administrativa”, visto que a Resolução 403/2011 do COFFITO refere-se exclusivamente à atuação profissional do fisioterapeuta do trabalho sem interferir ou fazer referência ao exercício da Medicina.

O COFFITO comemora mais uma vitória, que ratifica a competência legal da Fisioterapia e o reconhecimento social pelo trabalho eficaz do fisioterapeuta.
FONTE: www.coffito.org.br

sábado, 10 de novembro de 2012

O processo de Reabilitação (ops! de recuperação funcional)


O processo de reabilitação, ou melhor de recuperação funcional (deixe-me corrigir antes das críticas), não é um processo fácil. Como Fisioterapeuta pós-graduado em Osteopatia acredito que nosso organismo é capaz de curar-se desde que não haja bloqueios, e minha função é liberar o corpo desses bloqueios que impedem o corpo de fazer aquilo que ele é habilitado a fazer, assim como nosso sistema imunológico é capaz de combater grande parte dos patógenos que nos atacam, nosso corpo é capaz de se regenerar, e quando isso não é possível cicatrizar.
Até aí tudo bem, não parece difícil descrevendo, mas o processo de detectar esses bloqueios é bem mais (muito mais) complexo, não é raro seguirmos "pistas" falsas sobre o que está errado, e digo mais quando nos especializamos demais podemos ter nosso julgamento comprometido, podemos querer que o paciente tenha aquilo que estamos mais acostumados a tratar, aquilo que nos é mais fácil, ou ainda, como numa postagem recente podemos seguir a imagem (exame complementar) e não o que o paciente apresenta clinicamente.
Outro fato que costumo enfatizar com os pacientes é que esse processo depende muito mais deles que de mim, ou seja, como eu poderia com algumas sessões fazer com que todo vício de postura, toda atividade realizada de forma inadequada, toda agressão ao sistema locomotor, visceral etc simplesmente desaparecesse, peço que não se iludam com o desaparecimento da dor na(s) primeira(s) sessão(ões), peço que poupem seu organismo para que esse possa se recuperar e que esse possa se manter em harmonia depois de tratado.
Muitas vezes fazer o certo não é confortável, pode doer, ou mesmo parece mais difícil educar o organismo que esta acostumado a ficar errado.
Devemos lembrar que para a manutenção da postura precisamos de equilíbrio, conforto e gasto energético, por isso não basta mandar alguém sentar certo, "encolher a barriga e estufar o peito", a correção sozinha sem acompanhamento irá esbarrar naquelas regrinhas acima, corrigir sem garantir equilíbrio, conforto e gasto energético é em vão, nesse caso a pessoa irá cansaço, dor  (em geral queimação) e até mesmo perda de equilíbrio, e é aí que entramos, detectando esses bloqueios que impedem a manutenção da postura correta, que justamente por respeitar essas mesmas regras eviram o desgaste precoce de nossas estruturas.
Enfim, esse processo requer tempo, dedicação e vigilância para que não haja recidivas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A Clinica é Soberana



A Clínica é SOBERANA
Muitos não irão entender esse termo, mas os que entendem com certeza irão concordar comigo.
Um dos maiores ensinamentos na minha formação em Osteopatia (pós-graduação com 1500 horas) foi essa: a clinica é soberana.
Assim como não adianta saber todos os tratamentos se você não souber o que seu paciente tem, você não consegue tratar o que você não sabe o que é, de outra maneira é um tiro o escuro, um jogo de tentativas, que implicaria em muitos erros e poucos acertos.
Com os avanços tecnológicos os exames complementares facilitaram muito a vida dos profissionais da saúde, mas também os deixaram preguiçosos e muitas vezes incapazes de fazer uma boa (ou mesmo satisfatória) avaliação clinica.
Não é raro passarmos por um profissional que pede uma tonelada de exames e sequer "coloca a mão" no paciente.
Sem querer "brigar com a imagem", claro que os exames mostram a condição desse paciente, uma alteração estrutural que pode ser mais facilmente detectada se tivermos em mãos o exame complementar, MAS NÃO DEVEMOS ESQUECER QUE EXAMES COMPLEMENTARES SÃO COMPLEMENTARES, e não servem para nada a não ser confirmar uma hipótese diagnóstica.
Quem nunca avaliou um paciente que relata dores insuportáveis e seus exames complementares estão "limpos"? Significa que este não tem nada?
Ou mesmo quem nunca avaliou um pacientes que quase não refere  dores ou algum outro sintoma e seus exames apresentam-se com muitas alterações?
Muitos profissionais adoram divulgar que possuem nas suas clinicas e consultórios os mais modernos aparelhos de exames e de nada adianta tudo isso se não houver uma avaliação clinica bem feita.
Um famoso seriado americano, o Dr. House, fez muito sucesso mostrando as dificuldades de se fechar um diagnóstico clinico, e em todos os episódios eram feitos vários exames, muitos ainda distantes da realidade da maioria das cidades brasileiras, mas o que fechava o diagnóstico era a ideia, o raciocínio, a lógica e os exames complementares serviam para confirmar o que foi traçado no cérebro.
Quantas vezes não nos deparamos com pacientes submetidos a tratamentos (conservadores ou cirúrgicos) e não tem alteração alguma na suas queixas? Será se a elaboração da conduta não foi baseada no exame complementar e não na clinica do paciente? Com exceção dos casos onde a patologia tem um prognóstico ruim, muitas vezes muitos profissionais baseiam sua conduta no que vê no exame e não no que descobriu no paciente.
Pouco a pouco estamos perdendo nossa capacidade de avaliar, estamos perdendo nosso contato direto com o paciente, se isso não mudar em pouco tempo estaremos tratando os exames e não o paciente.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Quando o errado se torna o certo

Não é raro, pelo contrário, é extremamente comum pessoas em tratamento de dores na coluna não conseguirem permanecer na postura correta, seja em pé, sentado, deitado etc.
O processo de tratamento envolve muito mais do que apenas o tratamento clinico, mas também mudanças de hábitos lesivos.
Por vezes escutamos os pacientes dizer que não conseguem sentar-se da maneira correta, que corrigir a postura causa dores, desconforto, ou mesmo que só conseguem dormir da maneira a qual estão acostumados.
Como resposta eu digo que se fosse fácil nós fisioterapeutas estaríamos desempregados e que assim como o processo do corpo em adotar o errado como certo não foi do dia para a noite a adaptação das posturas corretas também levaria algum tempo.
A postura é a organização das partes do corpo, e essa deve ser feita respeitando conforto e mínimo gasto energético. Se essa organização está errada além de maior gasto energético o conforto estará prejudicado o que levaria outros segmentos a se alterarem buscando uma forma de compensar a alteração primária, como numa trama de elástico onde a tensão aplicada sobre um elástico refletiria em todos os outros. Além do mais essas alterações causam desgaste prematuro de nossas articulações gerando artroses, mantem os músculos em tensão gerando dores, fadiga e causando uma série de outras patologias, como hérnias de disco.
Apesar de considerar o fator mais difícil no tratamento as mudanças de hábitos devem ser incentivadas, é preciso insistir que o paciente não é um ser passivo no seu processo de tratamento e que a melhora passa pela responsabilidade do paciente, e que não é possível ter uma outra condição de vida, sem dor se ele continuar fazendo o que sempre fez e que essas atitudes podem ser a causa do seu problema.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quanto custa sua saúde?

Tenho visto com certa frequência profissionais dizendo ser difícil cobrar um preço justo pelo atendimento fisioterapêutico, principalmente o especializado.
Uma coisa lhes digo, a fisioterapia é uma área em ampla expansão, e não acho que seja uma área ruim de se trabalhar.
Se imaginarmos que estima-se que mais de 80% da população sofre de dores na coluna, podemos ter em potencial mais de 152 milhões de brasileiros como pacientes em potencial! Só contando coluna, agora imagine todas as áreas de atuação!
O diferencial é importante, a maneira com que vende e oferece seus serviços faz toda diferença.
O paciente não quer ser tratado em coletividade, não quer ser uma patologia, uma abordagem individualizada faz toda diferença.
Se conseguir fazer seu paciente entender que pagando um pouco mais terá uma atenção maior (somente ele durante toda a sessão), menor número de sessões semanais e no total, recuperação mais rápida etc.
Não é nova a expressão tempo é dinheiro, então saiba explicar que uma sessão de fisioterapia especializada por semana terá o mesmo efeito (senão mais) que 5 sessões diárias, então a economia não é só no tempo, mas também no investimento.
Outra maneira fácil é mostrar que o tratamento não é caro se comparado a outros gastos, como por exemplo: manicure corte de cabelo etc, de forma alguma quero aqui duvidar da importância desses profissionais, mas viram como é relativo o "caro" para tratar a saúde e o "caro" para cuidar da aparência?
A valorização profissional é feita primeiramente pelo profissional, e só é possível com a remuneração adequada.
Concorrência deve ser por melhores serviços e não por menores preços. Precisamos de COOPERAÇÃO  e não de COMPETIÇÃO.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

OSTEOPATIA E QUIROPRAXIA


Muitas vezes me perguntam sobre as diferenças entre a Osteopatia e a Quiropraxia.
Ambas são especialidades da Fisioterapia, são terapias manuais e sem dúvida são muito eficientes, se olharmos para a criação das técnicas encontramos muitas diferenças, desde a idealização por seus autores (Still e Palmer), filosofia etc, porém, essas diferenças foram ao longo dos anos diminuindo.
As duas especialidades atualmente possuem muito mais semelhanças que diferenças, e na minha opinião dentro de algum tempo irão se diferenciar somente no nome, porque tecnicamente serão uma coisa só!
Vejamos a quantidade de autores formados nas duas areas, a grade curricular são muito próximas e muito de uma foi incluido na outra e vice-versa.
A maior dificuldade é a de não existir uma nomenclatura única que defina as técnicas, pois mesmo dentro da própria Osteopatia a monenclatura varia de uma escola para outra.
Muitas vezes pessoas me perguntam sobre que especialista devam procurar, Osteopatia ou Quiropraxia, sempre respondo que desde que seja um bom profissional, ambos terão bons resultados, mas faço uma observação, que procurem por um especialista, ou alguém que cursou uma pós graduação, ou seja uma formação completa, com duração de 1.500 horas, saibam que é minha opinião e desde já explico minha posição.
Segundo a resolução 220 do COFFITO, que dispõe sobre a Osteopatia e Quiropraxia como Especialidade do Fisioterapeuta, e considerando a complexidade do tema, resolve que a duração do curso seja de 1.500 horas, com 1\3 (500 horas) seja de atividades práticas e com duração mínima de 2 anos, o que concordo plenamente com essa resolução, é uma área extremamente complexa e necessita realmente de um tempo diferenciado, com prática, sendo durante a mesma que o profissional coloca em pratica o que aprendeu, colocação das mãos, vetor de movimento, quantidade de força, sensação final, sem essa carga horaria e prática muitas vezes o profissional chega cru para atender o paciente e acaba "praticando" no consultório.
Outra resolução a 398 que disciplina a Especialidade Profissional de Osteopatia e resolução 399 qual disciplina a Especialidade Profissional de Quiropraxia, ambas englobam as competências e condicionam o conhecimento de diversas disciplinas e tratam de outras competências.
A Resolução 377 que dispõe sobre o registro de título de Especialidade Profissional em Fisioterapia, dispõe sobre a prova de títulos, sendo necessário a aprovação no exame de conhecimento e prova de títulos na especialidade requerida, sendo levado em consideração os cursos (formação) e tempo de experiencia profissional e outras. (www.coffito.org.br Resoluções 220,  398,399 e 370).
Ainda sim existem bons profissionais que não possuem título de especialista ou que tenha cursado uma pós graduação com 1500horas, profissionais com grande experiencia profissional.
Ainda sim penso eu ser extremamente importante que o profissional passe por uma formação completa.
Outro conselho é que procure por um FISIOTERAPEUTA especialista (Osteopatia ou Quiropraxia).
Sendo um Fisioterapeuta ele tem uma autarquia federal que o fiscaliza (tanto técnica e eticamente), portanto, a qualquer ato de imperícia, infração ética ou qualquer outro fato que saia da normalidade você terá a quem recorrer: ao CREFITO. E em cima disso faço um alerta: existe um lobby internacional fortíssimo para o reconhecimento da quiropraxia como profissão, muitas universidades abrem cursos que mais tarde seus alunos terão problemas com a atuação profissional, essa falta de respeito com a legislação brasileira vem de fora e encontra apoio em instituições mercenárias aqui do Brasil, é mais ou menos como se alguem fosse à sua casa e mudasse seus hábitos e costumes, portanto, procure por um FISIOTERAPEUTA!
OSTEOPATIA e QUIROPRAXIA são especialidades do FISIOTERAPEUTA.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dor e Stress

As emoções tem um papel importante na percepção da dor, podendo alterar o limiar da dor (diminuindo ou amplificando).
Não é raro pacientes em tratamento de depressão apresentar dores crônicas e mesmo os pacientes com queixa de dores por um longo período costumam apresentarem sinais e sintomas de stress e depressão, durante muito tempo isso não foi levado em conta, muitas vezes era até levantadas algumas suspeitas sobre a existência de tais dores.
Conforme o estudo do cérebro foi sendo mais aprofundado e conhecido os circuitos neurais a abordagem e a compreensão desses pacientes foi mudando drasticamente.
Atualmente sabe-se que alguns neurotransmissores envolvidos nos quadros de depressão estão envolvidos também na sensação de dor. Outro fato é a integração das fibras de dor com o sistema límbico (emoções), o que explica muitas vezes a vontade de xingar quando nos machucamos, essas fibras nociceptivas (fibras de dor) também tem conexões com a formação reticular, que alem de outras funções controla o sono, pois isso a dor muitas vezes é pior a noite, e a falta do sono trás também consequências terríveis nos quadros de stress e depressão.
Segundo algumas pesquisas o Brasil está entre os países mais estressados, e com a auto-medicação temos visto abuso de analgésicos que na maioria das vezes não traz beneficio ao paciente.
O grande problema que nem sempre é fácil detectar quando o paciente apresenta realmente uma dor física, uma dor psicossomática ou mesmo se o quadro psicológico esta amplificando a dor física, existem algumas pistas mas não é uma regra, mas vale a pena ficar atento se o paciente apresenta histórico de depressão, distúrbios do sono, gastrite, queixas sobre o dia-a-dia no trabalho, em casa ou na escola, cefaleia, quadros de tristeza sem motivo, fadiga (cansaço), ganho ou perda de peso alterações do apetite), se a dor encontra-se presenta há mais de 3 meses (dor crônica).
O trabalho com uma equipe multidisciplinar com certeza é de grande utilidade, pois a visão de outros profissionais pode ajudar a diferenciar um paciente com dor psicossomática.
O tratamento quando detectada a presença do fator emocional no paciente deve ser por uma equipe multidisciplinar, abordando todos os aspectos que possam estar envolvidos no quadro do paciente, negligenciar a intervenção de outros profissionais é arriscar piorar a situação do paciente, podendo entrar num ciclo vicioso perigoso onde a dor piora o stress que aumenta a dor e assim por diante.